Nossas mulheres

*Por Lisandro Frederico
Caro leitor e leitora, assim que você terminar de ler este artigo, saiba que mais uma mulher foi agredida. De acordo com o mais recente Atlas da Violência, a cada cinco minutos uma mulher é vítima de violência, seja ela física, sexual ou psicológica.
O dado é assustador e revoltante. Em nossa sociedade machista, muitos ainda acreditam que o melhor jeito de se resolver um conflito é com violência. A própria ONU – Organização das Nações Unidas – aponta a agressão contra a mulher como um grave problema de saúde pública.
Somente no Alto Tietê foram três casos de feminicídio em menos de um mês. Na Grande são Paulo, 16 mulheres foram mortas em 12 meses, e outras 9.270 sofreram algum tipo de violência doméstica. 
Mesmo com leis como a “Maria da Penha” – reconhecida pela ONU como uma das três melhores legislações do mundo de enfrentamento – e a Lei do Feminicídio, que colocou a morte de mulheres no rol de crimes hediondos foram suficientes para diminuir o nível de violência.
É fato que a violência atinge mulheres e homens, mas ela as atinge de forma mais maléfica, por ter origem, em um número expressivo de casos, de alguém próximo. Grande parte delas é praticada no âmbito privado, enquanto a que atinge os homens ocorre nas ruas.
A mulher é atacada dentro do lar. Ela é alvo de pessoas próximas à sua convivência, por meio de agressões físicas, psicológicas, e verbais. Onde deveria existir afeto e respeito, há uma relação de brutalidade, que, muitas vezes, acaba sendo minimizada, justamente por estar atrelada a uma relação, que, durante algum tempo, existiu amor. 
Esta situação que um dia foi de cumplicidade torna ainda difícil a denúncia. Antes de denunciar o companheiro, a mulher agredida pensa não apenas no seu bem-estar, mas, e até nesta hora, avalia quais serão as consequências para a família, para os filhos, e até mesmo para o agressor. 
Não é apenas no âmbito doméstico que as mulheres são expostas. A violência pode atingi-las em diferentes espaços, como a institucional, quando existe a omissão de um atendimento público, por exemplo.
O assédio, outra forma de agressão, pode ocorrer no ambiente de trabalho. Mulheres lésbicas sofrem agressões físicas, verbais e psicológicas. As transexuais também se tornam alvos de preconceitos e agressões múltiplas, e ainda lidam com abusos dentro de instituições, como as que ocorrem no ambiente de trabalho e nos serviços de saúde.
A prevenção e o rigor da lei são extremamente necessários para que crueldades não ocorram, porém, quando ela é concretizada, os serviços públicos essenciais devem estar a postos para suprir as necessidades, e a Justiça precisa ser implacável.