Demagogia x Impopularidade

*Por Lisandro Frederico

Meses atrás, antes da Polícia Ambiental deter e autuar um rapaz de Suzano por maus-tratos a animais, ele me questionou: “Votei em você, para fazer isso comigo?”.

Sendo meu eleitor ou não, eu não poderia aceitar que uma cadela desnutrida, com sinais de estresse e problemas motores, continuasse trancafiada em um cubículo.

O rapaz já havia sido alertado inúmeras vezes pela vizinhança, autoridades sanitárias e veterinários, que visitaram o local. Em todas estas ocasiões, de forma ríspida, ele expulsava e afirmava que não havia nenhum maus-tratos. No entanto, a violência contra o animal era visível aos olhos de qualquer um.

O argumento dele sempre foi: “Se eu não gostasse do bicho, já teria deixado morrer. Se alguém estivesse incomodado, que viesse dar ração ou pagar um veterinário”. Infelizmente, ele e muitos outros agressores, falam isso como se não houvesse leis para amparar todos os animais. E estas leis valem para todos, sem exceção, até aqueles que não são bem quistos pelo seu tutor.

Esta pessoa que abusava do animal poderia pedir ajuda para um familiar, um vizinho, um conhecido ou até mesmo uma ONG. No trabalho que desenvolvemos por meio da ONG PAS (Projeto Adote Suzano), por exemplo, já demos assistência a centenas de animais com tutores, no entanto, é preciso deixar claro que o foco do trabalho da ONG é os animais abandonados, porém, existem casos e casos.

Estou contando esta história para reafirmar que a aplicação da lei que protege os animais é fundamental na nossa sociedade, que ainda precisa amadurecer e evoluir para compreender a causa animal.

Ao encarar o desafio de ser protetor de animais e estar na política foi necessário estar disposto a iniciar um sério enfrentamento de ideologias e posturas, como a do rapaz tutor da cadela no cubículo. Um enfrentamento que, muitas vezes, são atitudes impopulares. E é nessa hora que devemos lembrar que estamos aqui para fazer o certo, não demagogia.

Existem milhares de animais nas ruas que dependem do trabalho das ONGs e grupos de proteção. O problema é que não há recursos suficientes para cuidar dos animais de rua, quem dirá dividir para aqueles animais que têm um responsável legal.

É necessário separar o joio do trigo e estar disposto a fazer a lei valer, em nome daqueles que não têm voz para pedir socorro. Também é verdade que já caímos na cilada de tirar recursos de animais da rua para ajudar pessoas que chegaram ao veterinário de carro de luxo e bolsa Louis Vuitton. Por outro lado, já tive a feliz surpresa de abordar um catador de recicláveis ver o seu animal ferido e fui surpreendido por ele ao mostrar os documentos do tratamento veterinário que estava fazendo, custeado por uma vaquinha. É lógico que no segundo caso me dispus a ajudar.

Não vamos evoluir na causa animal enquanto não enfrentarmos as questões ideológicas. Estar disposto a avaliar as situações com a razão e enfrentar a impopularidade das ações é fundamental.

Nosso caminho se resume em duas opções: Agradar e dar assistência para ser um amigão e, consequentemente, se tornar popular. E o outro é estudar caso a caso e aplicar a lei, com o acionamento da Polícia Ambiental, caso seja necessário.

Estamos aqui para buscarmos uma postura correta diante da causa animal e causar o impacto social que os animais tanto necessitam.