Quem incita o ódio não colherá amor

*Lisandro Frederico

Primeiramente é preciso dizer que o atentado contra o candidato à Presidência, Jair Bolsonaro, é condenável. A facada é mais uma das muitas cenas lamentáveis do atual clima de tensão do País. Solidarizo-me e fico satisfeito com a corrente de repúdio, que surgiu contra este episódio que pode manchar a campanha eleitoral de 2018.
Feito o prólogo, entro no tema principal deste artigo: “Quem alimenta o ódio, não colherá o amor”. Deixo claro aqui, e de uma forma que penso ser bem didática, que o presidenciável não é o responsável pela facada. Ele é a vítima. Contudo, é inegável que um homem público, que aparece em primeiro lugar nas pesquisas eleitorais, deveria representar e defender os valores de uma República séria, mas, ao contrário, seduz a tirania e outros valores não republicanos.
O candidato então merecia a facada? É evidente que não. O que Bolsonaro faz é alimentar este ambiente de ódio. Um discurso jamais poderá ser comparado a uma facada, mas as palavras têm o poder de motivar emoções. Palavras têm força e o candidato sabe muito bem utilizá-las.
Nas eleições em que o tema combate violência lidera o interesse da população, é no mínimo uma contradição um presidenciável simular uma arma e sugerir o fuzilamento de um determinado grupo.
Não tenho a pretensão de convencer ninguém sobre este meu posicionamento. Muito provavelmente, se você leu até aqui, trata-se de uma pessoa aberta ao debate plural de ideias, independentemente de concordar comigo ou não. Afinal, e ainda bem por isso, muitos não ficam satisfeitos com uma informação reduzida a um #meme.
Por incrível que isso possa parecer nos tempos atuais, há pessoas que pensam diferente e, mesmo assim, ouvem e entendem que ser e pensar de forma distinta não o faz ser um inimigo.
O diálogo e o debate político precisa de um mínimo de urbanidade. Incitar o ódio e a divisão de classe é o menos recomendado neste momento. Violência só gera mais violência.
Bolsonaro faz exatamente o contrário, com seus discursos agressivos, pregando a divisão como se o Brasil pudesse ser dividido em duas bandeiras. O resultado deste discurso gera aquilo que parece ser a estratégia fundamental da campanha: ame-o ou ame-o odiá-lo. As recentes pesquisas eleitorais mostram eficiência nesta técnica, que parece passar despercebida aos olhos da maioria.
Temo pelo futuro do nosso País e desta campanha presidenciável. Vejo teorias absurdas de ambos os lados. De um lado, os contrários questionam a veracidade da facada, apesar dos boletins médicos. De outros, os pró dizem as que determinados partidos políticos orquestraram a facada. Tal situação somente me confirma que estamos nos aproximando das eleições surfando em ondas de superficialidade.
O Brasil precisa de uma política inclusiva, que respeite nossa diversidade e que una a sociedade em busca de um bem comum. Quem é fiel aos discursos ofensivos somente contribui para a disseminação do ódio e do caos. Uma coisa é protestar contra candidatos e suas propostas. Outra coisa é tentar assassinar representantes políticos.
Espero que o candidato se recupere logo, para que a democracia e o debate retome seu espaço e coloque um fim ao clima de ódio e desrespeito.